segunda-feira, 26 de março de 2012

Retorno ao trabalho: a adaptação da MÃE

Quando iniciei minha licença maternidade não pensei muito como seria ao retornar ao trabalho, na verdade, comecei a procurar um berçário um mês antes de voltar a trabalhar, alguns diziam que não iria encontrar vagas, que o bebê era pequeno (4 meses e meio) e ouvi muitos comentários como: “Ai, que dó, mas precisa?”. Precisa.
Precisa financeiramente e psicologicamente, anteriormente eu tinha uma vida que foi deixada de lado em função do bebê, voltar a trabalhar era retomar o meu nome, a minha função, até então tinha me tornado “A Mãe da X”, no trabalho não, eu continuava tendo nome e sobrenome.
A decisão entre escola e babá deixarei pra outro tópico, pois é um assunto delicado que merece atenção especial, hoje posso dizer que o momento de entregar o bebê e sair de cena foi um dos mais árduos e confusos da minha vida.
Soube que o estresse de “deixar” seu bebê vai aumentando até chegar o dia da adaptação na escolinha, neste dia, o estresse está em seu pico máximo. Tudo parece muito pior do que realmente é, senti culpa, questionei o papel da mulher: “Será que o modelo da dona de casa cuidando dos filhos enquanto o pai paga as contas não é o melhor”?, senti vontade de largar o emprego, chorei muito.
Procurei não passar esse medo pra minha filha, dizia pra ela que tinha achado um parque de diversão para bebês e que ela iria adorar ali.
Antes de começar a adaptação fiz uma reunião na escolinha pra contar os hábitos da minha filha (sono, horas de mamar etc), foi neste momento que caiu a ficha: estava delegando minha função a alguém que não a conhecia, bateu um desespero, segurei o choro, mas quando saí da escola desabei, fui soluçando até em casa...meu marido ficou com dó mas ao mesmo tempo firme e me tranqüilizou dizendo que ninguém tiraria meu papel de mãe e era importante eu ter minha vida também.
Na semana seguinte começamos a freqüentar a escolinha, o roteiro seria: primeiro dia (2h mãe com o bebê), segundo dia (3h mãe com o bebê), terceiro dia (3h mãe com o bebê), quarto dia (4h, mãe escondida vendo cuidarem do bebê), quinto dia (5h, bebê sozinho, mãe em casa, fazendo unha, cortando cabelo ou outra recomendação que deram, mas o que fiz foi fumar 4 cigarros chorando na varanda do apartamento, isso porque eu tinha parado de fumar).
Um fato que me ajudou muito é que meu marido é psicólogo, então a “minha” adaptação foi assessorada de perto por um profissional...rs, os primeiros três dias foram mais ou menos tranqüilos, eu olhava os outros bebês, achava que não davam carinho o suficiente, minha filha babava e ninguém ficava toda hora passando o paninho na boca, deixavam ela babando...e quando deram pra ela um brinquedo que outra criança tinha acabado de lamber deu um pânico: “Ela vai lamber com eles todos os brinquedos? Cadê o álcool 70%?”.
O primeiro desafio foi aceitar que outras pessoas cuidariam do seu filho não tão bem quanto você, mas que mesmo assim seu filho ficaria bem. Sim, é possível o bebê não ter atenção 100% do tempo e mesmo assim ser feliz, quem sabe, se sinta até mais encorajado a descobrir o mundo sozinho, sem a presença constante da mãe que muitas vezes dá logo um objeto sem que ele se esforce pra pegá-lo...É possível também que o bebê que estava acostumado a chorar e a mãe a vir correndo desenvolva a paciência e tenha alguma noção do que é um grupo, foi o que aconteceu com a minha filha, de alguma maneira compreendeu que as coisas demorariam mais e percebi que ficou mais calma.
No quarto dia da adaptação eu teria que deixá-la sozinha, quando falaram: “Pode deixar, vai fazer suas coisas que ela vai se divertir”, comecei a chorar. Elas logo mudaram: “Calma, é assim mesmo, você pode ficar aqui também”, mas não, eu precisava cortar o cordão umbilical, saí correndo e chorei o máximo que pude. Obviamente liguei pro meu marido, quando ouvi “Fica calma, ela está bem” revidei “ Quem não está bem SOU EU!” e entre choro e dúvidas se largava tudo pra buscar minha bebê me mantive firme, esperei 15 minutos e fui buscá-la, rs. Esse foi o dia mais difícil de todos, estava no auge da minha angústia e se não chorasse ou sofresse quieta acho que seria pior, um dia todas essas dúvidas viriam a tona, não dá para fingir que não existem.
Até que...voltei a trabalhar, nesse dia tomei café, arrumei minha filha, a deixei na escolinha e reencontrei TODOS meu colegas de trabalho, almocei com eles, dei risadas, passei umas duas horas só conversando com toda a empresa, vi lugares próximos pra fazer as unhas, o dia passou voando, liguei umas três vezes pro berçário e estava tudo ótimo, na hora que fui buscá-la peguei trânsito e este foi o momento mais ansioso do dia, queria chegar logo! Quando a vi fiquei muito feliz, a beijei, disse que morri de saudades, mas no fundo eu estava feliz, foi um dia que tive só pra mim, tinha minha vida de volta.
Vi que posso ser uma mãe excelente trabalhando fora de casa, minha filha continuava linda e bem alimentada, ela deve ter sentido minha falta, mas procurei não focar nisso, senão largaria tudo. O principal é que toda aquela tensão da adaptação passou. O trabalho tira seu foco... é claro que tem horas que me dá uma saudade enorme dela, mas sei que à noite estará comigo, acordo mais cedo também para passarmos mais tempo juntas.
Hoje tenho certeza que fiz o certo, mas... estou pensando seriamente em algo que me dê mais tempo com a minha filha, vamos planejar, quem sabe.

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